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  • Seminário de Fortaleza
    12/11/2017

    Seminário de Fortaleza: Reflexões coletivas sobre os rumos do patrimônio cultural

     

    José Olímpio Ferreira Neto[1]

     

    "Eu seguro sua mão na minha, para que juntos possamos fazer aquilo que não posso fazer sozinho." Autor desconhecido[2]

     

    O II Seminário de Fortaleza traz como tema Desafios para o fortalecimento da Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Brasil. O evento aconteceu entre os dias 08 e 11 de novembro de 2017. O Theatro José de Alencar e o Cineteatro São Luiz, dois patrimônios culturais da cidade, foram o palco desse evento, onde foi discutido os rumos dos trabalhos para o fortalecimento do Patrimônio Cultural nos próximos anos. Entre os palestrantes, além de especialistas e técnicos, contou com alguns articuladores de manifestações culturais registradas como Patrimônio Cultural. Algumas apresentações culturais aconteceram durante os dias, como o Maracatu que abriu o primeiro dia, bailando ao som de tambores homens vestidos de personagens do maracatu, sejam do sexo masculino ou feminino, rostos com negrume na pele, com religiosidade e ancestralidade no cantar, sugerem uma lição de tolerância à diversidade.

    A Conferência Magma foi proferida por Laurent Levi-Strauss, pesquisador de renome internacional, que indicou a necessidade de não ver o patrimônio cultural de forma isolada, como se via os monumentos, mas dentro de seu contexto, observando os aspectos físicos e não físicos. Os outros dias contaram ainda com as conferências de Ulpiano Bezerra de Menezes, Márcia Sant’Anna e Maria Laura Cavalcanti. Além desses nomes, outros pesquisadores, agentes do estado e articuladores da cultura expuseram suas reflexões, pesquisas e experiências enfatizando em seus discursos a necessidade de participação de todos em diálogos que possam abordar o patrimônio cultural em suas múltiplas dimensões. Com fundamento constitucional, foi reiterado que a comunidade articuladora do bem cultural, os agentes do Poder Público e a sociedade em geral são corresponsáveis pela proteção dos bens culturais e pela promoção de diálogos e ações educativas para o fortalecimento do patrimônio.

    Nas mesas propostas no evento, diversos temas foram abordados, alguns envolveram aspectos quantitativos e econômicos, outros apresentaram experiências exitosas de participação da comunidade. São 41 bens culturais registrados desde a instituição do Decreto nº 3.551/2000, inspirado e fundamentado no trabalho da UNESCO, na constituição de 1988 e na Carta de Fortaleza do seminário realizado em 1997, 20 anos atrás. Para essa edição, o II Seminário de Fortaleza, propõe a elaboração de uma nova carta. Muitos avanços ocorreram, mas é preciso continuar a marcha. Muitas são as demandas, mas é necessário pensar em ações que integre uma rede de cooperação com a administração pública, abordagem integrada das dimensões do patrimônio cultural, que promova a participação da sociedade civil com sistemas mais aperfeiçoados e acessíveis, leis que instituam fundo orçamentário e regulem, entre outros temas, propriedade cultural coletiva, além de integração entre ministérios que possam contribuir no desenvolvimento dos manifestações e promover políticas públicas que beneficiem os articuladores dos bens culturais para que permaneçam.

    A Carta de Fortaleza, apresentada no último dia do encontro, trouxe ainda moções de apoio aos agentes estatais e aos articuladores dos bens culturais, de agradecimento aos entes que apoiaram o evento e de repúdio a toda forma de intolerância a gênero, religião, discriminação social, racial e cultural. Ficou evidenciado que é preciso transcender o tecnicismo e o debate entre os pares, ampliando para toda sociedade, no fito de compreender o patrimônio cultural em sua totalidade, com suas múltiplas dimensões.



    [1] Capoeirista, especialista em Educação, professor do Município de Fortaleza, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Direitos Culturais e do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais.

    [2] Citado no evento por Alessandra Ribeiro, Jongueira e historiadora.

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