A Música Nativista como Patrimônio Cultural Imaterial: Uma Voz que Ecoa Tradições*
Débora Cristina Pereira**
Sue Dâmaris Elvas Dantas***
O patrimônio cultural imaterial é a essência de uma nação, representando suas tradições, conhecimentos e expressões transmitidos entre gerações. No cerne da diversidade cultural, a música nativista, uma manifestação da alma gaúcha, destaca-se como um elo profundo com a identidade regional, especialmente no sul do Brasil, onde suas raízes florescem.
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Um dos marcos mais significativos da música nativista foi o festival “Califórnia da Canção Nativa” em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em 1971, durante a ditadura militar, a música nativista ressurgiu como uma afirmação da identidade cultural, reforçando o orgulho nativista e revitalizando tradições. Celebrando a vida rural, as paisagens sulinas e as tradições gaúchas, suas letras poéticas e melodias nostálgicas evocam um profundo sentimento de pertencimento e conexão com as origens.
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Com instrumentos típicos como violão, bombo leguero e o acordeon, a música nativista possui uma sonoridade única, narrando histórias de amor, luta e vida no campo. Sua preservação é crucial, pois, ao contrário do patrimônio material, depende da transmissão oral e prática contínua, correndo o risco de desaparecer sem proteção adequada.
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A preservação da música nativista requer várias ações estratégicas, como o apoio em festivais, concursos e eventos culturais que a celebram, festivais como o Festival Nativista de Venâncio Aires e o Califórnia da Canção Nativa são exemplos de plataformas que não apenas revelam novos talentos, mas também mantêm viva a tradição musical. Além de programas educativos que introduzem a música e a cultura nas escolas, também aulas de instrumentos típicos, como o acordeon que é símbolo da cultura rio-grandense, trazido ao Brasil por colonizadores e imigrantes europeus, especialmente italianos e alemães que se instalaram no sul do país, essas intervenções nas escolas, estimulam os mais jovens a continuar com essa tradição. Essas ações não apenas mantêm viva a tradição, mas também fortalecem a identidade regional e promovem a coesão social.
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A música nativista tem um papel crucial na construção e na manutenção da identidade regional. Ela reforça o senso de pertencimento e a solidariedade entre os habitantes da região sul, oferecendo uma narrativa comum que une as pessoas em torno de valores e memórias compartilhadas. Em um mundo cada vez mais globalizado, onde as culturas locais muitas vezes são eclipsadas pela cultura de massa, a música nativista serve como um baluarte contra a homogeneização cultural.
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Ao reconhecer a música nativista como patrimônio cultural imaterial, estamos salvaguardando não apenas uma forma de arte, mas também honrando a história e a cultura de uma região que enriquece a diversidade cultural do Brasil. Essa é uma chamada para a proteção e celebração dessa herança cultural inestimável, essencial para a compreensão e preservação da identidade cultural regional.
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*Texto elaborado como requisito avaliativo da disciplina de Direitos Culturais e Desenvolvimento Humano ministrada pelo Prof. Dr. Francisco Humberto Cunha Filho e Prof. Me. José Olímpio Ferreira Neto, no Curso de Especialização em Gestão Cultural da Universidade Estadual do Paraná.

**Graduada em Ciências Biológicas. Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). E-mail: deboracrispereira19@gmail.com

*** Bacharel em Licenciatura em Música. Faculdade Claretiano – Chapecó, Santa Catarina. Bacharel em Serviço Social. Universidade Estadual do Paraná (Unioeste) Campus Francisco Beltrão – Paraná.
Referências consultadas
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